Reuni em esfera nacional

Se o Reuni é um decreto do governo federal, imposto a todas as universidades federais do país, o estilo autocrático com que ele vem sendo aprovado por reitorias afora afina-se com seu berço, seguindo a mesma linhagem. Isento de debates, democracia, esclarecimentos; insustentável.
No dia 17 de outubro, iniciariam as ocupações vinculadas ao Reuni, com o ato dos alunos da UNIFESP, São Paulo, após a aprovação do decreto. Sobre o fato, comentam os próprios estudantes: “a adesão ao Reuni foi aprovada sem o mínimo debate do projeto com a comunidade acadêmica“, atacando também a postura dos burocratas: “entendemos que a truculência da reitoria chegara ao seu limite“. No dia seguinte seria a vez da UFRJ, onde, como previamente assinalado no manifesto, o Reuni foi aprovado, alheio a voz dos estudantes: “[…] Essa exclusão de parte das opiniões existentes ficou flagrante no Conselho Universitário realizado no dia 18, em que a votação foi encaminhada sem nenhuma discussão (somente dois conselheiros falaram e nenhum dos poucos conselheiros estudantis inscritos pode fazer uso da palavra).” Chegado o dia 19, estava marcado a realização do mesmo conselho, mas em São Carlos, na UFSCar. Conselho este que só fez procriar os mesmos propósitos: “A manifestação pacífica dos estudantes foi recebida de maneira exaltada e truculenta por partes de professores e do reitor, que rasgou uma manilha e aprovou o Reuni sem condições apropriadas -uma vez que os alunos inviabilizaram a votação gritando palavras de ordem por cerca de 40 minutos – e de forma que nós estudantes consideramos ilegítima. Após esses acontecimentos, em Assembléia foi decidido um dia de mobilizações na Federal, com cadeiraço e chamada para uma Assembléia de urgência no final do dia, que aprovou a ocupação.” Sobrevindo tais manifestações, seria a hora da UFBA receber um golpe da reitoria, em mais um conselho ilegítimo: “[…] os estudantes foram recebidos por segurança reforçada (sem identificação) e por outros seguranças disfarçados dispersos em meio à manifestação, com atitudes provocativas“, como se não bastasse, prosseguem com uma reprodução semelhante ao que ocorreu aqui, no Rio de Janeiro: “Em clara manobra inescrupulosa e desesperada, o Reitor Naomar de Almeida Filho solicitou aos poucos Conselheiros presentes que se aproximassem da mesa e, então, forjou a votação do REUNI, sem qualquer discussão.
Para essa falsa votação, sequer deu início ao Conselho: não designou a secretaria da Mesa – portanto, não há ata –, não contou o quorum presente (visivelmente insuficiente) e nem mesmo abriu a pauta para discussão do REUNI. Dessa maneira, montada a farsa para aprovação do decreto-REUNI, os parcos Conselheiros e o Reitor se dirigiram a uma sala trancada da própria faculdade, expulsando estudantes que ali se encontravam.
Para terem acesso à sala fechada, muitos Conselheiros, vigias e seguranças contratados agrediram verbal e fisicamente diversos estudantes que tentavam impedir a reunião e se manifestar livremente
“.
E ontem, dia 23 de outubro, a orquestra governista de reitorias permaneceu no mesmo timbre. Em Niterói, na UFF, os alunos ocupantes descrevem: “após uma sucessão de golpes aplicados na comunidade acadêmica, o Conselho Universitário (CUV) que votaria a adesão ou não ao … (Reuni) seria realizado essa manhã“, mas, “diante da certeza de que o decreto seria barrado na votação, tendo em vista o grande número de colegiados de cursos que deliberaram posição contrária ao decreto e a massiva mobilização estudantil, o reitor Roberto Salles deu um golpe: declarou suspenso o conselho logo após seu início, e retirou-se do local“. Em seguimento ao fato, em uma assembléia geral – consituída por alunos, técnicos-administrativos e professores – votou-se a ocupação da reitoria, que em algumas horas seria ameaçada pelo reitor através da Polícia Federal: ou desocupa, ou baixaria a repressão. Sob essa coerção, após algumas negociações, os alunos tiveram de recuar. Prosseguindo o caráter despótico assumido por nossos regedores, de calar a voz dos estudantes na mais completa indecorosidade, foi a vez dos alunos da UFSC serem golpeados, em um conselho universitários análogo a um circo qualquer, onde narram indignados: “presenciamos muitas hipocrisias: centros onde o Reuni não havia sido aprovado constavam na lista de centros participantes do Reuni e seus conselheiros se omitiram para corrigir tal “engano”. Em centros onde a adesão foi decidida a portas fechadas o conselheiro teve a audácia de dizer que a decisão foi tomada depois de amplo debate e participação dos estudantes“. Na seqüência, o conselho universitário teria duas opções de propostas para votação: “[…] que contava com nosso vice reitor Ariovaldo. Este tentou impedir constantemente que os alunos se manifestassem. Tentou que estes não pudessem ter voz e voto como conselheiros que são, não escreveu parte das inscrições dos discentes e na hora de votar uma proposta, manipulou uma delas, feitas por um conselheiro discente, para que fosse votada em contraposição a proposta feita por um professor. As propostas eram: não votar o Reuni antes de um amplo debate na universidade, que acabou sendo contraposta a de aprovar ou não o Reuni no CUN da próxima sexta-feira. Na hora de votar, a mesa chamou os que queriam aprovar a proposta dois (do conselho na sexta). Estes levantaram o braço, o vice reitor decretou que eram maioria, não chamou pelos votos na outra proposta e ao mesmo tempo os conselheiros que votaram e a mesa, quase que pulando das cadeiras, quase que correndo, abandonaram o conselho universitário.” Vale certificar o vídeo de votação deste “conselho” (vídeo).
Muito embora estejam rebentando tantas outras disposições autoritárias, e, em contrapartida, diversas ocupações ao longo do Brasil, desconhecemos a maneira como algumas tem se encaminhado – mas, sem titubear, afirmamos que, certamente, com inclinação muito semelhante às descritas; até porque, hoje pudemos verificar no blog da Ocupação – UFPR os seguintes dizeres: “Na manhã desta quarta-feira (24) ocorreu o Conselho Universitário para discutir Reuni e formas de consulta à comunidade. Com mais de 200 estudantes presentes … Ao final do conselho, seria encaminhado um plebiscito paritário, organizado pelas três entidades representativas da categoria, o que seria uma VITÓRIA da ocupação, da comunidade acadêmica e da democracia.
Infelizmente um conselheiro defensor do Reuni (Prof. Mauro Lacerda, do Setor de Tecnologia) deu um rodo e propôs um encaminhamento de que não fosse votado o plebiscito. O rebuliço acabou implodindo a plenária e nada foi encaminhado.
Os estudantes permanecem na Reitoria e na luta pelo plebiscito.”

Assim, ao menosprezarem os veículos clássicos de representatividade democrática, como o congresso interno ou o plebiscito, estes senhores parecem satisfeitos em tampar os próprios ouvidos e tomar o silêncio procedente como uma aclamação vitoriosa.

Comissão de Comunicação da Reitoria Ocupada UFRJ

Uma resposta to “Reuni em esfera nacional”

  1. calheditor Says:

    “Depois de apressadamente transferido para um prédio da UFSC distante do campus universitário, o Conselho Universitário que decidiria a adesão ao REUNI foi cancelado.

    Depois de tanta mobilização para que os estudantes estivessem presentes no Conselho Universitário onde quer que ele acontecesse, o cancelamento do mesmo dá algum desânimo. Mas não demora muito para perceber a VITÓRIA que esse cancelamento representa para os estudantes de luta da UFSC.

    Promovendo discussões sobre o REUNI, alertando à comunidade universitária sobre os riscos que a adesão traria, participando do Conselho Universitário e registrando a tentativa de golpe do vice-reitor na votação, os estudantes mostraram suas forças e que não engoliriam o REUNI tão facilmente.

    O cancelamento do Conselho Universitário de amanhã garante que a UFSC não irá aderir ao REUNI no primeiro semestre de 2008.

    Mas a luta não acabou. A UFSC tem até dezembro de 2007 para aderir ao REUNI e começar a receber verbas a partir do segundo semestre de 2008.

    Parabéns aos estudantes da UFSC que lutaram tanto para conquistar algo tão significativo para o futuro da universidade pública.”

    fonte: http://ocupacaoufsc.livejournal.com/

    site ufsc: http://www.agecom.ufsc.br/index.php?id=5818&url=ufsc

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