HISTÓRICO DA NEGOCIAÇÃO

Antecedente

No dia 10/10, estudantes da UFPR promoveram um ato contrário ao Reuni que contou com cerca de 300 estudantes. Marchamos do Centro Politécnico à sede da Reitoria, para entregar ao reitor um manifesto que explica por quê somos contrários ao REUNI e qual projeto de Universidade defendemos. Como o Reitor estava em Brasília, fizemos uma assembléia na qual foram definidas as propostas do plebiscito e um novo ato para a semana seguinte, antes que se reunisse o Conselho Universitário do dia 18, que votaria a adesão da UFPR ao Reuni.

A ocupação

No dia 17/10, após marcha vinda do Centro Politécnico, fomos informados de que o Conselho não havia sido marcado e que o Reitor estava em Brasília novamente. A nova data para reunião do Conselho seria 23 de outubro, durante a semana do Evento de Iniciação Científica (Evinci), quando a grande parte das aulas é liberada para que os estudantes possam participar. Assim, não haveria mobilização estudantil no dia e o Conselho poderia votar impunemente.

 Inicialmente ocupamos apenas a sala do Conselho Universitário esperando o retorno do Reitor para iniciar as negociações.

18 de outubro: Início das negociações

Na primeira reunião com o movimento, o reitor nos disse que não tinha autoridade para tomar decisões sobre o plebiscito e que tal decisão deveria passar pelo Conselho.

Nos reunimos novamente com o Reitor. Além do plebiscito universal com toda a comunidade acadêmica, propomos que todas as reuniões do Conselho sobre o Reuni fossem abertas. A contraproposta do reitor foi o plebiscito nos moldes da eleição para reitor, na qual o número de votantes de uma categoria da comunidade acadêmica é dividido pelo número total de indivíduos que compõe a categoria. Neste cálculo, o voto dos estudantes é dividido por mais de 20 mil, o que dilui a importância de cada voto entre todos os estudantes que se abstêm de votar.

 Conseguimos nesta reunião a garantia de que o próximo Conselho Universitário seria aberto a todos, com direito de voz e manifestação.

Antes mesmo que se aprofundassem as negociações, o Reitor e o procurador Marcos Maliska ameaçaram que, se não desocupássemos a reitoria até às 12h da sexta-feira, a Universidade entraria com o pedido de reintegração de posse.

19 de outubro: Plebiscito paritário

Na sexta-feira, discutimos em assembléia e formulamos uma nova proposta a partir do proposto pelo reitor. Propomos desocupar a reitoria, com a garantia da realização de um plebiscito realmente paritário, sem contar as abstenções, e de que todas as reuniões do COUN, com a pauta Reuni, sejam abertas.

Final de semana: Reitor no litoral

Tentamos nos reunir novamente no sábado, mas não conseguimos marcar com o Reitor, que estava na praia. Entretanto, a reitoria marcou uma reunião com as entidades que representam as três categorias da comunidade acadêmica e negociou as pautas da ocupação, sem que estivéssemos presentes.  Apelaram para a representatividade das três categorias para deslegitimar o nosso movimento e negociar a desocupação sem a nossa presença. As três entidades assinaram junto com a reitoria uma carta aberta à comunidade, na qual indicaram uma consulta à comunidade para deliberar a adesão ao Reuni e a não punição dos estudantes ocupados.

No final do domingo, a reitoria entrou em contato para saber como havia sido a receptividade da carta aberta à comunidade acadêmica e marcou uma nova reunião para segunda-feira, às 9h.

22 de outubro: Trava nas negociações

 O Reitor não buscou dialogar e construir uma nova proposta conosco, tentando impor que aceitássemos a que havia feito com as entidades. Buscou pressionar apelando para os possíveis danos causados pelo não funcionamento da Universidade e, especificamente, à falta de acesso à Pró-Reitoria de Planejamento. Ameaçou fechar o RU por falta de dinheiro para pagar comida, atrasar o pagamento de funcionários e bolsistas e interromper o processo de contratação de professores.

Dois oficiais de justiça vieram à reitoria com o mandado de reintegração. Foi nos dito que havia sido realizada uma conversa com o reitor e que devíamos sair do prédio antes que houvesse auxílio policial para nos forçar. Como não saímos, os oficiais voltaram com outro documento que responsabiliza seis pessoas individualmente pelo processo de ocupação. A nova pena é a multa diária de 100 reais por dia para cada pessoa processada. Apesar da pesada multa, o documento afasta a utilização automática da força policial para a retirada dos estudantes e coloca que apenas será usada se a UFPR requerer.

Desde a entrada do pedido de reintegração de posse, o Reitor busca se eximir da responsabilidade, afirmando que o procurador Maliska entrou com o pedido mesmo contra a sua vontade.  Entretanto, no documento que recebemos, a Universidade Federal é a autora do processo e o procurador Maliska é apenas o advogado.

24 de outubro: O dia do COUN

Mais de 200 estudantes participaram do Conselho Universitário em um debate que durou 4h. Quando a proposta de um plebiscito paritário organizado pelas três entidades representativas da categoria ia ser encaminhando, o professor Alípio Santos L. Neto  (diretor da Escola Técnica da UFPR) defendeu que nada poderia ser encaminhado desta reunião porque na convocatória constava como não deliberativa. O ponto se complicou com a confusão de novas propostas e questões de ordem, parte dos conselheiros se retirou da plenária e o Conselho terminou sem nenhuma deliberação.

7 Respostas to “HISTÓRICO DA NEGOCIAÇÃO”

  1. ocupado! Says:

    que geniaaaaal!

  2. Bianca Says:

    Cabe lembrar que Alípio Não tem direito a Voto,não é conselheiro, é um tosco facsistinha berlusconi

  3. Renato Says:

    Compas,

    Acho que é hora de avaliar a fundo os rumos da ocupação.
    O DCE já desmentiu os boatos de que seria a favor do REUNI e mostrou uma postura bem combativa e do nosso lado no COUN.
    Acho que é hora de acabarmos com a ocupação já que as consequencias legais serão muito grandes… Será uma grande vitória sairmos com o compromisso de anistia.
    Vamos nos juntar as entidades que já firmaram compromisso com o Plebscito que com eles teremos força para conquistar esta importante vitória!

    Vamos a luta!!!

  4. Rafael Says:

    Concordo com o Renato,

    A galera do DCE se mostrou muito de luta no COUN. A idéia que eu tinha é que eles eram de direita, mas demonstraram que são muito de esquerda. O único caminho que temos é buscar unidade do ME.
    Temos que tomar cuidado com grupos que só querem partidarizar este vitorioso movimento de ocupação, pois eu vi muita mentira e manipulação no nosso ato.

    Viva o Socialismo!!

  5. Daniel Says:

    Rafael, não são grupos, são grupelhos. Meia duzia de pessoas tentando uma promoção pessoal e partidária. Mas não vou entrar neste mérito.
    Bianca, o Professor Alípio é sim conselheiro do COUN, pois a Escola Técnica (ainda) é um Setor da UFPR.

    No mais, acho que o COUN serviu para mostrar o interesse unânime das 3 entidades em construir um plebicito paritário. Agora só não entendo pq é que a Ocupação acha que vai conseguir isto sozinha. Se a APUFPR, o SINDITEST, e o DCE estão defendendo este plebicito paritário, e estamos ganhando tempo para construi-lo, não há motivo para não somar forças e levar a discussão do Reuni a todos os cantos desta Universidade.

  6. tribunadorock Says:

    Parece que o mandato do Alípio já expirou e a Escola Técnica vai virar EFET e se desligar da UFPR. Esse cara cumpriu bem o seu papel de provocador na assembléia e o pessoal se deixou levar por isso, especialmente os que tem birra pessoal com o Moreira. A questão agora é conseguir o compromisso do COUN em realizar o plebiscito e conseguir a anístia. Em relação ao DCE, penso que só deve ser discutido o que é de acordo. Só se deve discutir o plebiscito e a anístia.

  7. tribunadorock Says:

    OPA! É IFET – Instituições Federais de Educação Tecnológica.

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